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The Truth Beneath the Rose




"Give me strength to face the truth, the doubt within my soul"*

Dia 23 veio e passou e, mais uma vez, senti como se não houvesse nada para comemorar. Como disse Nádia Lapa , é a "vida no pause": o tempo passou, mas parece que não estou vivendo. Nos últimos anos, me parece que perdi praticamente tudo que podia considerar importante e, entre eles, o prazer de viver e de aproveitar as pequenas coisas... logo eu, que adoro olhar o mar a tarde e caminhar na areia, que tenho paixão por sentir o vento da noite nos cabelos e por cantar a plenos pulmões e, claro, comer doce e depois pular, pular como uma louca, ensaiando passos desastrados de uma dança que só eu conheço a coreografia. Tudo isso perdeu o sentido, perdeu a cor, e já não sinto a mínima vontade de fazer nada disso. Já quase não desenho, escrevo pouco e este pouco se resume a um desabafo aqui e ali e alguns trabalhos para a faculdade; não me resta mais nada da fantasia, dos sonhos loucos, dos mundos de Alice que criava. Tudo ficou um preto e branco entediante e é cada vez mais difícil achar os pontos coloridos. 
Acho que isso começou quando tinha 13 anos e durou quase até os 15, tudo o que me lembra é de passar os dias trancada num quarto, chorando e pensando em morrer. Eu não sei como durou tanto tempo, nem como aguentei ou como sai dessa, as vezes penso que eu simplesmente sempre fui covarde demais para me matar e é só por isso que ainda estou viva. Talvez isto seja verdade, por que nesses 9 anos "vivendo" entre crises, eu não sei o que me manteve aqui, o que me manteve firme... há sempre aqueles que falam de fé, mas eu nunca tive muita, sempre fui melhor cética do que crente e especialista em fugir das aulas do catecismo.


Is paradise denied to me cause I can't take no more?

Has darkness taken over me, consumed my mortal soul
All my virtues sacrificed, can Heaven be so cruel?



 Hoje, eu nem mesmo sei o que me motiva a levantar quando as coisas estão ruins, mas eu levanto, mesmo quando não aguento nem um momento em pé e -vamos ser sinceros - isso não é nenhum mérito, nenhum motivo de orgulho e tentar encontrar uma desculpa filosófica ou uma interpretação cristã como "deus tem um plano maior pra você" não muda a verdade. Eu sei que preciso ter coragem, mais do que já tive em toda minha vida e tirar força sabe-se lá de onde para não me jogar na frente dos carros, para não tomar as cartelas de comprimido que tenho guardadas. Preciso de coragem para continuar seguindo, mesmo que rastejando, para levantar todo dia e fazer o que tem de ser feito, por que a depressão é uma droga, ela te cansa física e mentalmente, ela te transforma no teu pior inimigo e, no fim do dia, você fica tão cansado da batalha que parece que respirar é um esforço. E as vezes eu acho que é. 

Give me the strength to face the wrong that I have done
Now that I know the darkest side of me



Música: The Truth Beneath the Rose ~ Within Temptation






Algumas palavras sobre depressão

Com a morte do ator Robin Willians a depressão tem ganho um espaço considerável na mídia: são revistas, jornais e outras mídias (principalmente online) tratando sobre o assunto, mobilizando-se quase que repentinamente, na tentativa de conscientizar as pessoas de um detalhe bastante óbvio (e muito ignorado): que depressão é sim uma doença grave e, como tal, merece tratamento. A parte trágica é que foi preciso um dos grandes nomes do cinema mundial morrer para que, de repente, as pessoas começassem a falar sobre isso, sobre esse mal que nada tem de novo e que afeta aproximadamente cerca de 120* milhões de pessoas em todo o mundo e que, até 2030, se tornará não só a doença mais incapacitante, mas também a mais comum. Hoje, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que a depressão também será a doença que acarretará maior número de perdas e de gastos para os governos; a mesma também afirma que a doença afeta cerca de 10,6% dos brasileiros, fazendo a terra tupiniquim ser um dos líderes da lista de países com maior incidência.
E é sobre depressão "por aqui" que quero falar, por que no Brasil ainda existe um grande preconceito com a doença, o que dificulta -e muito - o tratamento. Não é a toa que a taxa de suicídio tenha aumentado em 30% nos últimos 25 anos (embora a co-relação entre suicídio e depressão não esteja totalmente estabelecida), mas dá para ter uma ideia do quadro, uma vez que tanto depressão quanto suicídio são tratados como tabu por aqui. É assim: acontece, mas ninguém quer falar sobre isso, ninguém quer admitir que talvez possa estar doente, que aquela tristeza persistente, que aquela falta de interesse em atividades, que aquela insônia maldita possa ser algo mais que cansaço ou stress. Parece que as pessoas tem medo de admitir e, mais ainda, medo de falar abertamente sobre isso e pior, de procurar um médico e ouvir "meus parabéns, você tem depressão". E, quer saber? Dá medo mesmo. Mas o que as pessoas precisam perceber é que o diagnóstico em si não é nada assustador: é a confirmação de uma condição física e mental, é com ele que você pode dizer para si mesmo "estou realmente doente E PRECISO de um tratamento".
Ainda falta muito para as pessoas entenderem isso: que não há vergonha em estar doente, que não é algo do demônio ou que vá passar com uma conversa, uma saída com os amigos e, mais ainda, que o tratamento e o acompanhamento de um profissional são extremamente necessários. Quando se deixa o preconceito de lado, fica mais fácil de lidar com o problema, não só para o doente, mas para amigos e família.


Fontes:

http://drauziovarella.com.br/drauzio/diagnostico-de-depressao/
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/06/1292216-para-cineasta-que-fez-filme-sobre-suicidio-da-irma-desinformacao-leva-a-tragedia.shtml
http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/organizacao_mundial_da_saude_divulga_estatisticas_globais_da_depressao.html
http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=5599




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