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Algumas palavras sobre depressão

Com a morte do ator Robin Willians a depressão tem ganho um espaço considerável na mídia: são revistas, jornais e outras mídias (principalmente online) tratando sobre o assunto, mobilizando-se quase que repentinamente, na tentativa de conscientizar as pessoas de um detalhe bastante óbvio (e muito ignorado): que depressão é sim uma doença grave e, como tal, merece tratamento. A parte trágica é que foi preciso um dos grandes nomes do cinema mundial morrer para que, de repente, as pessoas começassem a falar sobre isso, sobre esse mal que nada tem de novo e que afeta aproximadamente cerca de 120* milhões de pessoas em todo o mundo e que, até 2030, se tornará não só a doença mais incapacitante, mas também a mais comum. Hoje, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que a depressão também será a doença que acarretará maior número de perdas e de gastos para os governos; a mesma também afirma que a doença afeta cerca de 10,6% dos brasileiros, fazendo a terra tupiniquim ser um dos líderes da lista de países com maior incidência.
E é sobre depressão "por aqui" que quero falar, por que no Brasil ainda existe um grande preconceito com a doença, o que dificulta -e muito - o tratamento. Não é a toa que a taxa de suicídio tenha aumentado em 30% nos últimos 25 anos (embora a co-relação entre suicídio e depressão não esteja totalmente estabelecida), mas dá para ter uma ideia do quadro, uma vez que tanto depressão quanto suicídio são tratados como tabu por aqui. É assim: acontece, mas ninguém quer falar sobre isso, ninguém quer admitir que talvez possa estar doente, que aquela tristeza persistente, que aquela falta de interesse em atividades, que aquela insônia maldita possa ser algo mais que cansaço ou stress. Parece que as pessoas tem medo de admitir e, mais ainda, medo de falar abertamente sobre isso e pior, de procurar um médico e ouvir "meus parabéns, você tem depressão". E, quer saber? Dá medo mesmo. Mas o que as pessoas precisam perceber é que o diagnóstico em si não é nada assustador: é a confirmação de uma condição física e mental, é com ele que você pode dizer para si mesmo "estou realmente doente E PRECISO de um tratamento".
Ainda falta muito para as pessoas entenderem isso: que não há vergonha em estar doente, que não é algo do demônio ou que vá passar com uma conversa, uma saída com os amigos e, mais ainda, que o tratamento e o acompanhamento de um profissional são extremamente necessários. Quando se deixa o preconceito de lado, fica mais fácil de lidar com o problema, não só para o doente, mas para amigos e família.


Fontes:

http://drauziovarella.com.br/drauzio/diagnostico-de-depressao/
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/06/1292216-para-cineasta-que-fez-filme-sobre-suicidio-da-irma-desinformacao-leva-a-tragedia.shtml
http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/organizacao_mundial_da_saude_divulga_estatisticas_globais_da_depressao.html
http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=5599




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